Em Direto de Budapeste – Inclusivos Faz-de-Conta

Quando me perguntam se os Húngaros me tratam com respeito, podia, sem grandes rodeios ou laivos de retórica, responder que “há duns e doutros”. Tal resposta, porém, peca pela palidez das palavras e pelo fraco cunho pessoal, apenas dela me socorrendo nas alturas em que me quero ver livre o quanto antes dos meus interlocutores. Se porventura logro uma resposta elaborada, digo que o racismo – sendo mais preciso, a sobranceria identitária – não me é um fenómeno novo, remontando aos tempos em que carregava em Lisboa a cruz de ter nascido no Barreiro; onde, de resto, uma vez regressado, outra cruz, com o formato de foice e martelo, me impunha idêntica condição.